quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Contra a adesão a qualquer lado da concorrência territorial entre as classes dominantes da Palestina e de Israel

É triste ver tanta gente defendendo que devemos (o proletariado) abraçar algum lado da concorrência (a guerra, literalmente) entre os burgueses de israel e os burgueses da palestina pela posse de territórios. 

A história prova que o próprio território "palestino" foi antes roubado de outros "povos", tal e qual o território "israelense" foi roubado dos "palestinos".
A disputa por territórios e propriedades sempre foi, é e será o negócio das classes dominantes.

A posição crítica racional e verdadeira contra essa situação é defender que proletários de todos os lados devem se recusar a matar, que eles devem voltar as armas contra seus próprios generais.

Ou seja, a verdadeira crítica não é defender "povos", "etnias", "culturas" contra outros (povos, culturas e etnias são estereótipos, ficções forjadas pelas classes dominantes para fazer seus escravos se matarem pelo território e propriedade de seus próprios senhores). A verdadeira posição crítica é contribuir para que os proletários palestino, israelenses e de todo o mundo se solidarizem na luta contra os seus próprios patrões e poderosos, não importa se estes são palestinos, israelenses ou de qualquer lugar do mundo.

Vocês que defendem um lado contra outro só colocam mais lenha na fogueira da matança mútua. Vossos "argumentos" na verdade são puramente emotivos e consequentemente a posição de vocês é reacionária.

SOBRE BOICOTE

Boicote virou panaceia. Na verdade, ele só contribui para delegar o poder, a responsabilidade, a autonomia da população (de ambos os lados) aos empresários e burocratas. Afinal o boicote visa "pressionar" os empresários e burocratas de Israel para que estes "ajam", e consequentemente para que a população continue cúmplice de seus desmandos, de suas "ações", ao invés de romper com elas e criar uma situação sem volta, acabando de fato com a guerra. 

Mas a ideia de boicote é ainda mais absurda. Aqui mesmo no Brasil ocorre uma matança em escala bélica da população pobre, talvez até maior do que entre Israel e Palestina. Faz sentido um boicote contra todos que moram aqui? Boicote é tática baseada em pensamento mágico, que não serve para nada senão acirrar ainda mais a matança, só intensifica os efeitos e nem raspa nas causas. Boicote é ilusão de "classe média", que só reconhece um único modo de ser - "o consumidor" - e uma única forma de agir possível, tão ilusória quanto qualquer superstição: consumir "conscientemente".

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